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O dia do jogo


Uma aposta alta foi feita, dez umbus. Precisa ter muita coragem para tanto. Ele teve. Apostou tudo que tinha e eu fiquei se ação. Não podia recuar diante tanta coragem, podia? Apostei os seis umbus que tinha. O clima ficou tenso, vi a pequena gota de suor escorrendo na têmpora dele. Ele sempre foi um bom jogador, mas até esses um dia deixam-se expor. Eu não soube interpretar se aquela gota poderia ser um bom sinal. Ele me ensinou tanto sobre estratégias e possíveis sinais e dicas que podemos ver em nosso rival, mas no momento eu não lembrei nada. Joguei uma carta na mesa, era um cinco de espadas. Ele lançou um olhar confiante e pediu mais uma. Sete de ouro. Foi quando ele mostrou suas duas cartas: quatro de copas e seis de espadas.
Foi nesse dia que, pela primeira vez, venci meu avô em um jogo de cartas. Mesmo que tenha sido apenas uma partida de 21 -com algumas alterações, inventadas por nós- e mesmo que ele tenha perdido por apenas um ponto. Naquele dia fiquei dezesseis umbus mais rica. Meu prêmio foi ter passado uma tarde com meu avô. Eu e ele brincando de gente grande.


Ilha


Algumas vezes, gosto de imaginar que sou uma ilha. Fico parada, cercada de silêncio, esperando pelo tudo e pelo nada. Uma ilha deserta, dessas que as pessoas gostam de imaginar o que levariam, caso fosse a uma. Vivendo dias de tempestade, conversando comigo mesma e até reclamando de algumas coisas. Sentindo falta de companhia, mas conformada com a situação. Cantarolando para dentro, pensando e vendo os dias passarem, ouvindo o som do silêncio.
Talvez, no final das contas, eu não seja tão diferente assim de uma ilha. Pessoas têm andado sozinhas. Vivemos em um planeta habitado por ilhas.
O que será que as pessoas trariam, caso viessem até mim?
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Brincadeiras



Brincadeira de roda em uma tarde ensolarada.
Uma nuvem curiosa veio de longe observar do alto. A folha espera ansiosa sua vez de brincar. De um lado formigas trabalham e do outro pássaros almoçam ao som da cantiga de roda.